Ando a procura da pureza

Há muito tempo lembro que tomei consciência de minha presença e vivência na terra, na sociedade, em mim. Desde então, comecei a desvendar cada segredo, cada incógnita, parte por parte. Até que descobri que havia um código único no meu ser, que minha alma era uma imensidão, porém, única.

Vasta, vasta, extremamente vasta!

Não me cansava e não me canso de navegar nos meus pensamentos mais lindos e até nos mais sombrios. Mas existe algo que me surpreendo em não encontrar em muita gente, e que anda por aí meio escasso. Algo que denota uma beleza irretocável, um atributo que todos os deuses sempre prezavam, pois é a única coisa de que alguém se pode orgulhar. Esse coração mole sempre soube o que é, em todas as situações sempre me sobrou espaço para a pureza.

Não é aquela que te faz mais santo ou mais foda que outro alguém, nem aquela que te dá superpoderes ou coisa do tipo. É uma que te faz vê beleza onde não existe, que te faz ser compreensivo quando tudo coopera para que você não seja. É quando alguém te machuca profundamente e você ainda consegue se preocupar, ainda consegue querer o melhor.

Essa tal pureza é uma que anda em falta por aí, ela vive escondida, sorrateira e mansa, simples e topetuda. Cheia de sentimentalismo e ao mesmo tempo denota frieza. É uma canção para dias frios, é um livro pra ler no ônibus, é um dia inteiro de reflexão - daqueles que você anda no automático e não consegue dissipar o pensamento. Ela, essa senhora que conheci um dia desses e já se tornou a mais velha amiga, a que já tomou todas as histórias do meu caminho, a que vive sempre calada, sim, pois se em algum momento ela se expressar o danado do Orgulho aparece. Então sua irmã Soberba logo vem e começa uma discussão de família, na qual a coitada da pureza nem pode se pronunciar.

Ela vive assim, em peitos abertos, em olhares sinceros, em mãos que dão e não precisam receber de volta, pois ela sempre recebe uma luz toda manhã a qual ela considera sua maior recompensa. Outro dia ela me disse que vive por amar e é pura por ter a oportunidade de viver.

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