Rio, um estado de espírito.


Muitas vezes enquanto morei no Rio ouvi as pessoas comentarem que era um estado de espírito ser carioca, que era uma sensação única e quase que utópica viver na cidade maravilhosa.

Minha experiência foi daquelas que no início foi uma cara torcida, depois um achego, então uma compreensão e por fim uma paixão.

Aos poucos e lentamente fui entendendo a rotina, a geografia, a demografia e a tão falada malemolência do carioca nato ou de coração.

Tantas vezes me peguei pensando o que fazia eu naquele lugar, o quanto era infinitamente lindo e maravilhoso e ao mesmo tempo banal e inescrupuloso. Eu ficava perplexo com a profunda dicotomia inserida no ambiente e agir do Rio. Olhava os grupos, as ruas, as casas de shows, os teatros, os shoppings - os emaranhados de gente, de volume, de vida, de sobrevida.

Na confusão da correria do metrô, na loucura do ônibus lotado, no engarrafamento da Avenida Brasil, em todo o caos e em todo lugar eu sentia e respirava uma paz. Uma paz que não daria e não consigo exprimir ou explicar. Não eram só meus pensamentos voando enquanto olhava para as colinas, não eram os morros verdes e distantes ou próximos do céu, nem mesmo o balançar inquieto e ritual do mar, era simplesmente a junção de ritmos com anseios e desejos dos mais variados.

Não era preciso se distanciar, todo lugar era lugar, todo momento eu vivia o todo. Contemplava o esplendor do estado de espírito como um verdadeiro mantra. A adrenalina do arrastão, da violência, do medo e da inconstância me deixava em transe. Eu não conseguia acordar, e paralelo existia aquela paz que comentei. Existia a dualidade do horizonte perfeito, das águas abundantes e do pôr do sol mais bonito do mundo com a divisão social exacerbada.

Era Rio, era eu - era quem passava pela Lapa, quem subia Santa Teresa, quem corria no Flamengo, quem andava por Botafogo e quem viajava no barquinho de papel da Lagoa. Era, um era eterno, um momento transformado em eternidade, uma eternidade transformada em momentos.

O Rio.

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