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Mostrando postagens de Junho, 2018

Dos amores não correspondidos

Desde a infância eu vivi diversas experiências amorosas, quando criança tudo é muito puro e profundo, as paixões são avassaladoras. Eu me apaixonei pela minha melhor amiga aos 7 anos, ficávamos e nos correspondíamos, era lindo como criávamos uma atmosfera que parecia verdade, é, porquê acredito mais que seja fantasias de crianças do que qualquer coisa. O tempo logo passou e enterramos nosso segredo com os anos, minha irmã e o irmão dela sabiam, mas ninguém falou sobre isso até hoje, passou. Ficou a amizade, o respeito e o conhecimento que só pode ter quem se conhece de verdade.
Aos 15 fui flechado novamente, dessa vez por uma menina de rosto redondo, temperamento sanguíneo/melancólico que ficava comigo e com meus amigos, essa história toda eu conto no meu livro que ainda não saiu. Vivi intensamente a meia paixão pela aquela garota e não podia compreender porque tinha que dividi-la, um belo dia ela se mudou e consigo foi nosso lance, foram também as amizades e todos os entrelaces daquel…

A individualidade do ser

Hoje estive pensando em como cada um de nós precisamos sentir-nos necessários, amados, respeitados, estimados e elevados sempre, ou quase sempre. Há quem viva procurando essa afirmação de outrem, há outros que se autoajudam e uns ainda que têm todos os créditos de bandeja. Por outro lado, também precisamos nos espelhar em alguém, sentir orgulho, amar, adorar e afirmar a importância que o outro tem, isso nos faz sentirmo-nos melhores. É uma via de mão dupla mesmo, se somos amados queremos amar, se somos estimados queremos recompensar. Sem via de regra, apenas por observação, somos todos necessitados do afeto e do carinho que o mundo tanto nos cobra, tanto nos abstém.
E passamos a vida inteira nesse poço, onde a água vai até a borda e logo fica lá embaixo de novo, por dias fica no meio e em outros até seco. É, porquê o humor muda, a tristeza vem, a solidão aparece, a personalidade entra, o temperamento demarca e ficamos nessa roleta russa. Há cidadãos como eu, que a todo tempo procura re…

Só os loucos sabem!

Naqueles dias que você resolve enfiar o pé na jaca, exceder um pouco o limite, é essencial que mantenha firme a ideia que tuas companhias te farão sentir-se melhor. Se vai pra noite então, tens que ir com os loucos, aqueles que cuidarão de você na hipótese de qualquer circunstância, pois depois de umas doses de álcool, o verdadeiro eu vem á tona, não existe espaço para atuações, tudo passa a ser conforme orquestrado, aí mora o perigo. Como de fato as pessoas te veem?
Ser surpreendido é uma das artes que mais me atrai, quando posso falar: caraca, jamais imaginei! Tudo fica muito melhor, digo isso porquê na noite passada encontrei alguém extremamente doida, no extremo sentido de bom. Rir da loucura na madrugada a fio é surreal, o gosto é inimaginável, as conversas fluem, as aflições vêm a superfície, ficamos frágeis e sensíveis e como pela primeira vez libertos! É libertos! Passamos nossas vidas enquadrados no realismo da sociedade, tentando viver como quem pisa em ovos, com todo cuidado…

Somos negligentes por apropriação

Hoje cheguei à conclusão que somos, sem exceção, omissos,negligentes e contraproducentes por apropriação. Através - é claro - da cultura, arraigada seja pela família, pela escola ou pelo trabalho, na sociedade em geral, nos apropriamos do histórico de incompetentes , corruptos e mártires, desenhado por nossos antepassados que apossaram-se dessas terras há décadas atrás. Tornando-se cômodo exercer o papel de malfeitores, senhores do café e do trigo, que não enxergam a vida e a necessidade uivarem em sua frente.
Isso pode ser atribuído a muitas fases e facetas de nossas vidas, desde o trabalho bem feito em qualquer que seja o setor, até mesmo no julgamento definhado de vítimas em suas dores. Como é o caso do menino que foi morto a tiros em uma favela do Rio de Janeiro enquanto estava indo pra escola. Houve quem tivesse a audácia de culpar o garoto e sua história pela infâmia vivida, é uma verdadeira apropriação de inversão de valores, hipocrisia, insensibilidade e acima de tudo a falta d…

Choque Cultural

Nessa primeira semana de Junho de 2018, junto com dois amigos, vivi umas das experiências mais constrangedoras e ao mesmo tempo enriquecedoras. Um misto de vergonha, desprezo e preconceito com reflexão, entendimento e manutenção da coragem. Três negros (dois adultos e um pré adolescente) deparados em uma comunidade judaica, ambos mal vestidos e com receio, logo que entramos nos deparamos com várias pessoas brancas, a maioria de meia idade e bem vestidas, de imediato um choque cultural.
As pessoas nos encaravam, olhavam com um ponto de interrogação enorme em nossos olhos, nossos corpos, nossos pés. Não houve cumprimento por parte do rabino, não existíamos, a situação que algo anormal estava pairando no ar não foi pontuada, nem mesmo dada a devida atenção pelo líder daquela comunidade. O mesmo é escritor e reconhecido em seu meio, naquela noite estavam sendo introduzidas canções feitas a partir de uma das suas obras, maravilhosas canções, arranjos que daria para ouvir até a eternidade.
Um…

A memória da alma

Sabia que todas as tuas vidas passadas e a atual estão sobrecarregadas com as memórias de tua alma? É, não pense que isso seja algo ruim, em sua totalidade não é, vivemos num ciclo contínuo, passamos em centésimos de segundos por diversas vidas, personalidades, temperamentos, pessoas! Expressamos em pensamentos e sonhos todos os DNAs das almas, somos abruptos e ao mesmo tempo doces, vazios e transbordantes, uma dualidade que vai entre o existir e o passado, a coerência não se aplica, apenas responde milhares de perguntas que os seus eus te fizerem há muito tempo atrás .
Um dia sua alma veio-me triste, melancólica e moribunda, me trouxe uma história que me fez debulhar em lágrimas, me coagiu com sua delicadeza e me fez entender que aquele sentimento era o mais puro que eu pudera sentir, senti e compreendi que mesmo não recordando, mesmo não tomando para mim, aquilo era parte, parte de alguém que era eu, parte de algo que fazia parte de mim. Não me contive, me entreguei, deixei-me viajar…

A espera do especial

O tempo passou tão sorrateiro, hoje me peguei pensando que já faz alguns anos que espero pelo amor, por aquela pessoa especial, que me completaria e me faria ter mais forças para seguir na longa e desgastante caminhada da vida. Então percebi que o fator tempo em nada contribui para isso, que pode levar anos e até mesmo a vida inteira até que você encontre o alguém que realmente te faça sentir borboletas na barriga.
É uma verdade que esse dia pode não chegar, é como ser eternamente coadjuvante, sempre estará próximo, mas nunca desfrutará da glória e resplendor que o principal te oferece, será sempre uma ilusão, uma utopia, uma inverdade que seu coração carregará e te fará tremer sempre que chegar perto. E chegará o dia em que já não lembrarás que passou a vida inteira esperando um amor, que o especial era você mesmo e a dedicação deveria ter sido redobrada ao seu eu. O solitário ama mais, se doa mais e de tanto se dedicar ao futuro, se perde no passado e não se encontra no presente.

Aque…

O gourmet

Um belo dia você sai de casa com a intenção de experimentar algo novo, no auge da gourmetização, as ideias são as mais improváveis e os nomes os mais atraentes, então você pede um bolo da felicidade, ao pegar outros itens do cardápio esse tal bolo passa despercebido no recebimento do pedido, surge uma pergunta boba: onde está o bolo? O garçom responde: você acabou de pegar. Verificando melhor, percebe-o, a felicidade estava na sua frente, com uma aparência diferente, uma composição simples e curiosa. Não era bolo, não era felicidade! Era doce de leite com algo encima. 
Daí você se toca, o chopp não é lá o melhor doctor , a batata apesar de convidativa suou-lhe também repaginada, mas nem sempre as coisas mudam para melhor, antes soubesse que comeria um doce de leite e uma batata calabresa, que antes foi cozida e logo depois frita, com uma maionese com alho, o valor a ser pago seria melhor compreendido, dada essa onda te prometer muito e não cumprir com quase nada. Te prometeram amor, fe…

Sem rumo e sem direção

Quem nunca? Uma pergunta que tem sido bastante feita nos últimos tempos! Quem nunca? Quem nunca se deparou em um momento da vida em que nada parece fazer sentido, em que o jogo ganhado ou perdido dá no mesmo, os dias são cinzas e a monotonia toma conta de tudo. Não existe nada além de um palmo da mão, tudo opaco, não dá pra fazer nada. 
Noite passada sonhei que eu tentava subir uma grande escadaria de mármore, que apesar de enorme, não deveria ter problemas para subir os degraus, mas acontece que eu escorregava, sentia minhas pernas fracas e a cada dez degraus subidos, sete eram descidos. Havia uma banda mexicana cantando com todos os instrumentos possíveis, no maior volume possível, era uma alegria que caçoava de mim, acentuava meus retrocessos, me fazia enxergar que eu era o grande responsável por não conseguir subir.
Mesmo com a dificuldade e sem ninguém para ajudar, eu consegui! Chegando no refeitório que havia após as escadas, resolvi comer, estava indeciso, peguei minha bandeja, m…

Concepção

Tudo é como abrir os olhos, adaptar-se e vê, compreender e andar. Sou muito assim, sempre fui, procuro o fio da meada, a cosmovisão escondida entre o sentido e a ilusão de ótica, tento sempre e ao máximo ter uma concepção clara e profunda sobre tudo. Quando criança, me enchia de perguntas, sobre a velhice, a personalidade, as reações, os sentimentos e atribuições de cada um. Eu consigo vê a linha tênue, sou capaz de enxergar as motivações por trás de cada gesto, cada olhar. É como um radar, automaticamente me deparo analisando características que não é comum todos verem, é intrínseca demais essa habilidade, ela me faz colocar-me no lugar do outro quase que de imediato ao ocorrido e entender detalhadamente os sentimentos.
Isso não quer dizer que não julgo, que não tomo decisões precipitadas e que não erro em demasia, pode tirar o não de tudo, eu exageradamente “dou mole”, o tempo todo. Sou como alguém que não conhece e vê pela primeira vez e por desconhecer, fico como quem não entende. …

Desapego

Tentei procurar outra palavra, mas nenhuma vai definir o que quero dizer, não com tanta precisão, desapego. Tenho desde muito cedo na minha vida essa dádiva, com facilidade e uma certa frieza, sou muito, mas muito, muito mesmo desapegado. Isso é em tudo, pessoas, coisas, lugares etc. procuro sempre questionar o espaço que é ocupado por cada “coisa”, por cada o que quer que seja.  Isso ou aquilo é necessário? É a pergunta que me deixa vazio de coisas fúteis e cheio de espaço para o novo.
Os valores e princípios gerais nos ensinam que devemos ser fiéis aos nossos, que precisamos permanecer inertes a nossas origens e que temos que manter ativa a ligação com tudo o que temos e somos. Eu concordo veementemente, porém é desapegando que consigo fazer valer a pena esses preceitos, sem ser eclesiástico, nem levando em conta todos os atributos, sobretudo sendo fiel ao eu, meu caráter, minha história e minha perspectiva de futuro. Persistindo no meu principal princípio: ser primeiro e transmitir …

Preciso me encontrar

Sinto uma necessidade enorme de representar, viver outras vidas, sentir outros sentimentos, indagar o belo do ser e transmitir a liberdade do eu para cada coração. Parece ser poético, mas é um desejo antigo, me corrói, me faz devanear horas a fio, fico sonhando acordado mesmo, quando durmo uma extensão acontece, me transporto e sou.
No presente, tenho tentado descobrir mais profundamente essa prática, tentando entender quão insano é ser tantos, quão surreal é se entregar de tal forma que seu eu já não existe, sua história já não é contada e seu futuro é escrito a cada segundo. Essa ansiedade que me alucina, me deixa triste e esperançoso ao mesmo tempo, me faz ir pelo caminho mais longo e mais árduo, incessantemente, insistentemente, porém com a certeza que a chegada será minha realização.
E quantas pessoas já me falaram que eu deveria estar lá - representando, quantos já indagaram que sou ator nato, que eu me daria bem, que eu conseguiria fácil ou que acreditam em meu potencial. Ouvindo…