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Mostrando postagens de Fevereiro, 2019

Hoje me permito

Há tanto tema sobre o qual falar, tanta coisa para debater, mas hoje quero me permitir adentrar em mim e apenas pensar. Pensar sobre como tem sido minha trajetória, o quanto de mudança real tenho feito e qual impacto tenho causado nos diferentes tipos de pessoas que cruzam meu caminho a todo momento e eu o delas.
Quero entender de forma profunda até que ponto me compreendo e até que ponto compreendo o outro, quão importante têm sido os outros pra mim, quanta coisa que fui capaz de fazer e não fazer, os meus preconceitos, minhas neuras e cada atitude que foi propulsora de minha caminhada até aqui.

Hoje me permito, sem reserva, com a cabeça arejada e o coração vibrante a reivindicar tempo, espaço, direito de errar e o mais importante: amor próprio. Me permito ser o tema por alguns minutos e todo o resto do tempo ser condescendente com a temática do outro, me permito ser eu mesmo, concedo ao outro o direito de me vê como alguém que erra, cai e levanta.

Esse sou eu

Cabelo pro alto Pinta de guerreiro De origem nobre Que sabe o enredo  Não nego minha origem Amo minha cor Sou negro, sou raça  Transbordo amor
Só sei te dizer Que me prender jamais Sou dona Ivone  Que depressa se vai  Não quero tua cor Não sou teu senhor Tu também não é  Ninguém Zé mané
Escrevo como quero  Resplandeço como devo Sou nêgo não nego E de caô tô cheio
Sem rima, sem dó O tempo passou  E hoje sou só Que nem dominó
Só quero rimar  E rir sem parar Eu sou tu e tu é eu Nem sei que fim deu

Preciso

Definitivamente preciso contribuir mais para a sociedade, essa mesmo, a que nega a liberdade, que marginaliza o negro, que trata com frieza a mulher e não estende a mão para a criança. Essa sociedade que têm os bons e os maus precisa ouvir minhas palavras.
Não são palavras de crítica, muito menos de aceitação, são sim, de resistência, da necessidade de transparecer a superação, da dor do outro ser minha e da responsabilidade ser compartilhada a medida que me disponho a ajudar quem de fato precisa.

Quero contribuir com uma voz que não é ouvida, com um olhar que nunca é compreendido, com um cabelo não convencional, com um histórico não uniforme e com uma vestimenta não condizente com o tão afeiçoado padrão. Com essa sociedade quero apenas o contraste, o enfrentamento cara a cara, o instinto transitando da fúria para a aceitação.