O outro lado

Pensando em como a sociedade têm evoluído ou não acerca de alguns temas, me pego refletindo sobre minhas posições quando do lado de cá e quando do lado de lá, quando a primeira vez que me vi como negro ou a primeira vez que me autodeclarei bissexual. Não dá para ignorar as posições sobre temáticas tão conflitantes e debatidas no cenário atual, hoje apenas reconheço que é necessário ser voz de positividade no meio do caos.

Não se pode normalizar o preconceito, muito menos tolerar discursos que apoiam atos asquerosos sobre assuntos críticos e sensíveis, não me sinto como vítima, mas não saio da mira de uma, não me lamento, mas não quer dizer que não seja necessário, às vezes a melhor forma de expressar é através do silêncio. Do lado de cá eu consigo vê que existem muitos corações que trocam com a falta de amor, que amam a si e ao outro desejam a morte, que dizem que na casa do outro tudo bem, mas que na minha não haja algo assim.


Do lado de lá eu me peguei diversas vezes pensando na dor do outro. Do lado de cá eu sinto essa dor diariamente. Do lado de lá eu não conseguia me incomodar tanto quanto agora, sempre encontrava justificativas para ações imprudentes, não lamentava tanto quanto deveria a morte, da esperança, do respeito e acima de tudo da liberdade. As mortes melhor dizendo, não impactavam do lado de lá. Do lado de cá morro todos os dias, quando uma mulher apanha, quando um negro é ridicularizado, quando um gay é massacrado, desse lado eu não estou sozinho, e não quero estar. Desse lado quero ajudar a curar a dor.

                              Holanda, Março de 2019.

Comentários

  1. Hoje è um dia, amanhã outro
    Hoje somos nós, amanhã serão outros
    Aproveite cada dia que Deus dá para contemplar suas maravilhas

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