Sobre a melancolia

Poderia ser sobre essa tal melancolia, acerca desse temperamento que me define em dias frios, em noites mal dormidas, em conversas enfadonhas e em casos sem finais felizes. Sobre o meio do caminho ser mais interessante que o final, sobre os finais não serem regozijantes, sobre quase não ter amigos, para não precisar se preocupar demasiadamente. Sobre não contar com o destino e ser todo o acaso.

É uma espécie de enjoo, às vezes da vida, às vezes da morte, de querer voar em céus nem tão azuis, nem tão limpos, mas profundos ao ponto de me perder voando. De cerrar os ouvidos e descobrir que nem tudo preciso ouvir. De conversar tanto, após copos e copos, depois do império caído já não ter mais assunto como tópico. De refletir sobre esse momento, um futuro tão longínquo e um presente tão deprimente e um passado no qual já não quero mais voltar.

Alguns dizem que é do signo, outros do temperamento, muitos dizem que é fase, ou afirmam ser duradouro, essa crise, se é que pode ser chamada assim, me atravessa e não me deixa conhecer, pois quando tento ser profundo, perco o chão, as asas param de voar, fico com vergonha, e mesmo a lua estando presente durante todo o dia, a atenção se volta ao sol, insisto e digo hoje não é dia de brilhar, mas sim de ser melancólico.

Portugal 🇵🇹 2019.

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