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Mostrando postagens com o rótulo poesias

Trem

Vejo a cidade da janela Passa rápido, depressa Sinto que é bagatela Ficar vidrado nessa
A paisagem que linda é  Me traz uma sensação  De choro e dor no pé Que ultrapassa o coração
Se descer terás que ver Prefiro por aqui ficar Toda a gente a perecer Sem um reino para reinar 
Da janela me sinto só Mas também seguro Não é problema, sei de có Jamais atravessei o muro

De cor

Colorido não é Diferente já foi Beleza de fé  Amor pra nós dois
Azul, preto e cinza Tudo escuro, cor Tão leve que desatina Esse imenso amor 
Preto e branco  Sem vida, ida Antes manso Hoje um gorila
Apontado, o menino Por ser ele de cor  Seu nome foi Gino Chocolate bordô



Árvore da vida

Quase redonda Com seus galhos Sem muita onda Não tem retalhos
Frutos sem vida Beleza sem pudor Árvore da vida  Cheia de amor
Grossa no caule  Exuberante na folha Pura vaidade  Sabe-se doutora 
Dá-se sombra Um pico de dor Ninguém a tomba Sem sentir seu sabor
Árvore da vida Tua beleza se fez Numa linda caída  Das folhas outra vez



Sem essa

Não tenho educação Porque o estado não quis Só se eu fosse burro Para esse destino infeliz 
Aceitar, não dizer nada Não sou eu, não é de mim Vou pra rua, da calçada  Quero o direto do sim 
O sim para humanas  Para os pensamentos Não sou cabeça de anta Tenho meus adventos
Se o rei não tem estudo E faculdade ele não gosta Eu recuso esse jugo Vamos deixar de prosa
Quero agora revolução  Mudança de verdade Sem essa de tesourão  Quero mais dignidade

Imperial

Quero apenas uma Para o calor espantar  Pode ser mais uma Para o coração acalmar
Mereço um pouco mais Juro que não terminei Sei que não, jamais Apenas uma eu ei 
De conversar tanto Após copos e copos Depois do império caído Já não ter mais assunto como tópico
A última já não recordo  Só sei que deve haver Se por fim ou por decoro Quero terminar de beber

Alegria

Vem numa rapidez Vai em um segundo Oh me segura de vez Não se vá do meu mundo
E essa tristeza ferrenha Insiste em aqui ficar Diz-me ser terrenta  Que logo vai acabar
Se digo fique Se imploro não se vá  Diz que não sou fixe Que devo chorar
E ela me faz rir Ela me faz chorar Alegria de vir Tristeza de apartar

O fuso

Eu amanheço antes E com calma te espero Uma força pulsante Feita de flagelo 
Com vento e frio Às vezes com sol Sinto arrepio O teu cortisol
Acordo querendo-te  Tento te contar  Tão cedo no oriente Tão tarde no lar
Horas antes de mim  Tempos depois de nós Não quero pôr fim No que sonhei para nós

Motivo

Eu não tenho motivo pra ficar Mas também não tenho pra ir Quisera o amor me encontrar E meu destino definir
Não preciso regressar Não preciso seguir em frente Não preciso fingir te amar Como uma alma doente
Quero ficar, sem ficar Quietinho a esperar O sol intenso raiar E eu poder jurar
Jurar que não irei Mas que também não sei Falar que ficarei Jurar que errarei
Apenas nada dizer Deixar a noite cair Se quiseres vir a ter Terás que se decidir
Motivo nunca tive Não será agora que terei Teu beijo era palpite O qual jamais acertarei
Não adianta pedir Ficar não é opção Como não tenho motivo Ir também não
Sem saber o porquê Com razão ou sem Decidi não quero ser O caminho de alguém

E essas voltas que o mundo dá?

Hoje você está aqui  Amanhã não sabe onde Se vê numa pista de esqui Depois descendo do bonde
Ama como nunca amaste Vive como nunca viveu Sente a dor de quem magoaste E suplica por um adeus
Diz sim para o novo Rejeita o velho abrigo Se alimenta de ovo E não teme o perigo
Fala bem do imprestável Ouve mazelas do amigo Afirma não ser negociável Sair cedo do esconderijo
Pede ajuda ao estranho Nega afeto ao conhecido Remete cartas ao bando E finge ter sucumbido
Dar meia volta e meia Regressa sem sentir dor Esquece que há lua cheia E que ela te deu amor
Tenta não recordar Para a dor não sentir Sabe que se for chorar Será quando partir
Aproveita ao máximo Antes da sirene tocar  Trata-se do mastro Que esqueceu de levantar
Significa que está em casa Que na cadeira se sentou Na sala secreta, covil de arma Trai a quem te

O caos

Tem sido como antes Uma loucura total O castelo caído de dantes É fora do normal
As armas que matam amor Os colapsos que rompem  Um tudo que causa dor E nada pode ser com ontem
Depois do oceano que seja Longe do calor continental Ainda há a tristeza Ainda que sejam temporal

Esse sou eu

Cabelo pro alto Pinta de guerreiro De origem nobre Que sabe o enredo  Não nego minha origem Amo minha cor Sou negro, sou raça  Transbordo amor
Só sei te dizer Que me prender jamais Sou dona Ivone  Que depressa se vai  Não quero tua cor Não sou teu senhor Tu também não é  Ninguém Zé mané
Escrevo como quero  Resplandeço como devo Sou nêgo não nego E de caô tô cheio
Sem rima, sem dó O tempo passou  E hoje sou só Que nem dominó
Só quero rimar  E rir sem parar Eu sou tu e tu é eu Nem sei que fim deu

Cara amassada

Cara amassada  Noite mal dormida Roupa não passada Sem pinta de artista
Vida bagunçada Sem amor pra esperar Casa arrumada Nem devia estar
Do futuro nada vem Do presente é  Quase nada Não me atento ao que tem Pois da vida não quero nada

Por você

Não me importo de tentar Tuas histórias ouvir  Teus mistérios desvendar Tua alma sentir
Os contos sem nó As conversas de ti Sem um pingo de dó Não quero partir
Se teus olhos deixarem Se tuas mãos vierem Os meus lábios falarem No meu corpo diferem

A noite

A noite é silêncio É solidão a noite Algo vem à tona Meus olhos abertos
Meu coração vazio Meus braços abertos Meu sorriso frio Meu primeiro afeto 
A noite é triste É toda sem você Sem o som enfim Nada a merecer

Otimizar

Gosto de jogar coisas fora Se fosse apenas coisas Deixo o tudo ir embora Embora eu precise de pessoas 
O tédio não se vai  Fica entulhado no ar As vontades passam E eu só sei chorar
As palavras sem sentido Os sentimentos com dor É sim, falta de abrigo Ou quem sabe de amor

Sobre ele

Ele acreditou que a saudade Era feita de sonhos Que tudo era vaidade A efeito de um homem
Poderia ele mudar o mundo  Se diferente pensasse Quisera ele fazer mudanças  Talvez isso acabasse 
Suas palavras ficaram Como folhas de um temporal Voaram pra todo lado Até chegar o carnaval

Eu aceito

Quero tudo o que o destino me reserva Quero as dores e os amores As idas e as vindas As boas e quase boas coisas
Quero a ansiedade pelo amanhã  Quero o medo por não conseguir A tristeza de tentar novamente  E o privilégio de tudo isso viver
Quero as inconstâncias As incertezas e certezas  Quero a necessidade  De mim e de você

No meio do todo

A quantidade de gente Parecia areia do deserto A solidão não era diferente Era amor sem afeto
As palavras vazias Os conselhos sem fim Não eram estrelas guias Os que ocupavam o jardim
Faltava ainda poesia As cantadas ao anoitecer Era tudo o que seria Uma alma pra morrer

Te deixo ir

Sem circunstâncias quero ser Um pouco de mim quero deixar Esse teu amor de morrer Quero aos poucos me afastar
Quero como o sal do mar Deixar tudo como deve ser As impurezas levar E o teu beijo esquecer
Mas se uma chance vier O todo quero perder Não precisa ser de pé  Eu aceito como quiser